CURSO “VIVÊNCIA COM TEATRO DE SOMBRA” COM A CIA LUMBRA (RS) – 2013

CURSO “DESDOBRAMENTOS DO CORPO” COM A CIA CAIXA DO ELEFANTE (RS) – 2013
6 de julho de 2017
CURSO “DESDOBRAMENTOS DO CORPO” COM A CIA CAIXA DO ELEFANTE (RS) -2014
7 de julho de 2017
O curso aconteceu entre 14 e 20 de janeiro de 2013.
Foram abordados conceitos, técnicas e estética na arte criativa do teatro de sombras contemporâneo, com a Cia. Teatro Lumbra e Clube da Sombra (RS) (10 vagas)
Ministrantes: Alexandre Fávero, Roger Lisboa e Fabiana Bigarella.
Carga horária: 80h

Turma

Ivan Farias
Leandro Silva
Lia Celeste Maldonado
Victor Navarro
Ana Paula Brasil
Bethielle Kupstaitis
Mário de Balenti
Luana Mara
Olá, companheiros!

Venho compartilhar minhas impressões sobre o curso Vivência em Teatro de Sombras ministrado pela Cia. Lumbra.

As últimas semanas para mim foram de muita reflexão e alguns experimentos, sobretudo a respeito do tempo, do ego e das projeções. A partir da experiência vivida com vocês no Vale do Arvoredo pude perceber um outro tempo entre o ser e a sombra. Me deslumbrei ainda mais com esse teatro feiticeiro de sombras, que nos maravilha pelo instinto mais primitivo e científico.

Alguns de vocês já relataram, mas vale sempre repetir que desde o primeiro momento fomos recebidos com gentileza e afeto. Tudo foi preparado com muita dedicação para nos receber.

Minha expressão maior é a de gratidão.

À Cia Lumbra pela generosa condução dos ensinamentos, pela paciência e seriedade com que passaram seus conhecimentos laborados pela experiência de anos de trabalho de grupo.

Ao Caixa do Elefante no oferecimento de um espaço incrível, no meio de um vale mágico, que nos proporcionou aconchego e excelentes condições de experimento, aprendizagem e trocas. E à sua equipe tão dedicada e eficiente.

Aos colegas oficinandos, pessoas fantásticas, tão diferentes, tão ricas, generosas e colaborativas.

A Unima, representada pela querida e incentivadora Susanita, que possibilitou este intercâmbio magnífico.

Ainda guardo o sabor daquele tempo que vai aos poucos contrastando com o ritmo veloz do dia-a-dia. Em mim este tempo está bem guardado e é uma suspensão do tempo, um não-tempo, o tempo da projeção em sombra, que eu aprendi que fala por si. E não é fácil enxergar de fato essa possibilidade. Mas os trabalhos foram encaminhados com maestria e cuidado. E resultaram em sementes plantadas, certamente em todos nós.

Agora elas podem levar o tempo necessário para germinar e crescer. Não importa. É como a história do agricultor que semeia, mas não pode acompanhar cada milímetro do crescimento da planta. É impossível aos olhos. Mas que com dedicação e acreditando no cultivo o tempo se encarrega de fazer seu papel… e um belo dia a planta está crescida, vingada!

Aproveito pra lembrar que tive a oportunidade de fazer oficinas com o Caixa em 2007 e que os ensinamentos foram apreendidos e renderam frutos, pelos quais também sou muito grata.

Acredito que experiências de imersão como esta possibilitam trocas riquíssimas, repercutindo de forma singular, ampliando o campo de estudos da Arte e o fomento do Teatro de Animação.

Benditos os que acreditam nos sonhos e nesse teatro que tanto nos anima! Que haja muitas realizações neste espaço e sucesso para todos nós!

Meu espírito colecionador guardará cada um de vocês como uma preciosidade encontrada, pois considero os encontros como tesouros da vida. Desejo reencontrá-los em uma próxima Pachanga!

Parabéns a todos pela realização deste curso! Evoé, meus queridos!!!

muitíssimo grata,

Ana Paula Brasil

DEPOIMENTO ANA PAULA BRASIL


DEPOIMENTO LEANDRO SILVA


Porto Alegre, 29 de Janeiro de 2013.

Uma saudade sombria de uma experiência luminosa…

Passado pouco mais de uma semana, desfeitas as malas, me pego revendo as fotos, os vídeos, os materiais do Curso de Vivência no Teatro de Sombras, acontecido no período de 14 a 20 de Janeiro de 2013, em Morro Reuter – RS, e me perguntando se tudo foi real e para onde estas sensações e aprendizados vão me levar daqui pra frente, enquanto artista bonequeiro popular do Nordeste.
Certamente, esta experiência é um divisor de águas na minha vida, não só pela própria linguagem que tive a oportunidade de conhecer, senti e experimentar; mas também pela metodologia, o jeito de fazer o curso, como foi assumido pela Cia. Lumbra e a Caixa do Elefante; bem como o processo de formação do grupo de oficinandos, conduzido pela Caixa do Elefante e Comissão para a América Latina da UNIMA INTERNACIONAL.

São exatamente estes dois pontos que quero destacar aqui: os aprendizados e a metodologia.

Sombras: mistério, possibilidades e um caminho novo que se abre…

Quando me inscrevi para concorrer à bolsa, estava decidido pelo Curso Vivência no Teatro de Sombra, com a Cia. Lumbra, por achar que esta era uma linguagem completamente nova para mim e por eu, fora alguns vídeos no You Tube, jamais ter tido um contato com esta estética de representação. No Nordeste, o boneco impera como representante do teatro de animação, especialmente os Mamulengos, sendo nossa maior expressão neste campo. Rodando por comunidades nordestinas com o Projeto Fuzuê (Ver: http://fuzue-rede-animada.blogspot.com) no interior do Piauí, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco, jamais tive qualquer notícia de grupo ou artista que fizesse uso do Teatro de Sombras. Conhecer mais de perto esta linguagem, na perspectiva de desenvolver algum trabalho com Sombras, era minha maior expectativa.

Logo no início do Curso, na nossa primeira vivência, vi o quanto a sombra está presente na minha vida. Cada um de nós, ao relatar sua relação com a Sombra, viu-se cheio de “Histórias de Luz e Sombras”, que remontam desde a infância, a relação com o outro, com o amor, com o encontro consigo mesmo. Descobrimos, de cara, que a Sombra – centro da vivência – não é nem de longe uma desconhecida nossa, tendo participado mais que ativamente de nossas vidas, desde nossa entrada no mundo. E isso já foi um assombro para mim!

Foi incrível descobrir tantas coisas!

Descobrir que a sombra tem seu próprio tempo, sua própria dinâmica…

Deixar a sombra falar…

Deixar que a nossa sombra dialogue com as outras sombras, que gere conflitos com as demais sombras, que se misturem… E que contem por si mesmas histórias.

A partir de diversos exercícios, fomos sensibilizando e “desmecanizando” os nossos sentidos para perceber a sombra e permitir que ela seja um veículo de comunicação e expressão. Tivemos noites de muitos avanços; noites de dificuldades e retrocessos, que nos ajudaram a subir um nível e alavancar nosso aprendizado. E dias ensolarados de reflexão sobre tudo isso que estávamos vivendo. Perceber a diferença entre um Teatro com Sombras e um Teatro de Sombras. Sutilezas.
Considero de muita relevância esta metodologia utilizada pelo Lumbra na condução do processo do Curso:

Alexandre Fávero nos conduz pelo caminho de descoberta do potencial da Sombra, enquanto estética, enquanto forma de expressão. É um saber que ele ajudar a brotar de dentro de cada um. Não é uma aula; é “viver o saber”, sentir o que se está aprendendo, perceber. Talvez aí o significado máximo de uma “vivência”.

Para mim, Alexandre é um mestre e um mago. Um “Dumbledore” dos mistérios das Sombras. E que não é mesquinho, pois se abre e dar tudo que possui de experiências, histórias, tentativas, materiais, suportes, para que os oficinandos possam também fazer o seu caminho no Teatro de Sombras e fazer suas descobertas. Mesmo sendo um mestre, não assume tal postura e se coloca como amigo e guia nesta jornada.

Mas lidar com as sombras é fazer um encontro conosco mesmo, com nossos medos, entraves, limites e potenciais. Fabiana Bigarella, enquanto psicóloga e membro do Lumbra, partindo de suas reflexões sobre a Sombraterapia, ajudou tanto o grupo, quanto cada participante individualmente a lidar com as diversas questões existenciais que a Sombra faz aflorar em nós. Este acompanhamento se deu em dois níveis: com o grupo e com cada um também, permitindo um processo coletivo, mas também com descobertas mais particulares, ligadas às circunstancias de cada participante. “Eu sou eu e a minha circunstância…” (Ortega y Gasset)

Roger Lisboa é o olhar sensível atrás de uma câmera, que capta o momento certo, do ângulo certo e que depois, em sessões divertidíssimas, nos permitia sermos expectadores de nós mesmos através das fotos e vídeos. E esse olhar externalizado foi muito decisivo para o aprimoramento de nosso aprendizado durante o curso.
As questões técnicas relacionadas ao manejo da luz, da criação da sombra, do uso dos equipamentos, os conceitos básicos (O que é preciso para existir a Sombra/ O que é preciso para existir o Teatro de Sombras), propostas de caminhos para a organização de uma Dramaturgia das Sombras… Tudo foi abordado de forma muito generosa pelo Lumbra, que abriu seus pacotes e caixas de experiência e sua biblioteca para nosso aprofundamento e inspiração. Inspiração, claro! A excelência profissional e estética do trabalho do Lumbra é acima de tudo inspirador para alguém que queira se arriscar no universo maravilhoso do Teatro de Sombras.
Algo extremamente profundo, vivido por cada um de nós no Curso Vivência no Teatro de Sombras, foi certamente a proposta sobre a qual este foi montado: Um espaço de residência artística no Vale do Arvoredo, em que os oficinandos estão o tempo todo imerso no aprendizado, na beleza, na contemplação e na convivência. A Cia. Caixa do Elefante conseguiu o que sempre me pareceu difícil e ideal: um lugar em que não se vai para aprender alguma coisa por um tempo, mas “por todo o tempo, estando neste lugar, se está aprendendo”. Eles levaram ao pé da letra o significado de estar-se “imerso” numa experiência, que tem como bases a convivência e a afetividade.

Afetividade esta que começa quando você acaba de desembargar do Nordeste em Porto Alegre, meio perdido, meio jeca, e é recebido com sorrisos e abraços por Paulo Balardim e Carolina Garcia. E que continua em cada momento no Vale do Arvoredo… Lá, foram somados os cuidados e o carinho de Luana e Andreza, que se dedicavam a garantir sempre o nosso conforto e acolhida.
Em cada sutileza dos ambientes, nas mesas para as refeições preparadas com simplicidade e beleza, onde não faltava uma música, um perfume, uma vela, uma luz diferente, dando a cada dia e noite um novo rol de sensações, que enche o espírito de alegria e da certeza do quanto a vida é bela, o quanto é bom está ali, a vontade de ser sempre assim: viver a arte, com beleza e simplicidade.

Paulo Balardim eu já tinha ouvido falar, quando recebi uma apostila numa Oficina de Teatro de Bonecos em 2006, em Floriano, no Piauí. Havia uma citação dele na apostila, que sempre me marcou… Algo sobre uma discussão, uma defesa do teatro de bonecos ser representação teatral e a representação teatral ser a existência humana dialogando consigo mesma. Conhecer a pessoa por trás da ideia é uma experiência inusitada! Um artista extremamente capaz, e um ser humano acolhedor e simples, sempre construindo alguma coisa, pondo um tijolo em algum lugar, um “Operário do Universo”, sempre revirando e transformando as coisas ao seu redor. Parece que o Mundo é o atelier de Paulo.

Tivemos ainda a alegria de conhecer Mário de Ballenti (Cia. Caixa do Elefante), que veio nos visitar e conhecer do muito que aprendemos e construímos durante o curso.

Algo que considero de muito valor no Curso Vivencia no Teatro de Sombras foi também a condução da seleção na bolsa… Esta ideia de descentralizar as oportunidades e garantir a formação de um grupo heterogêneo, vindo de experiências muito distintas, unidos para dias de trocas. Isso potencializa muito o aprendizado e me sinto profundamente marcado por este tempo de convivência com meus colegas. Discutir o papel do ator no mercado profissional hoje, com Ana Paula Brasil (RJ); inspirar-se na busca incessante pela coisa bem feita em Ivan Farias (RJ), um artista acima de tudo inquieto; a sensibilidade aflorada e contagiante de Luana Mara (SP); a experiência e histórias de vida de Lia Celeste (Chile); o artista completo e colaborativo, em Víctor Navarro (México); as descobertas partilhadas de Bethielle, que consegue traduzir nos seus sentimentos, o sentimento do grupo todo. Eu vim de uma experiência de “mochilar” por comunidades do Nordeste com Bonecos, me apresentando e ensinando o pouco que sei em associações locais. Espero mesmo que minhas vivencias tenham somado com este grupo, pois eu levei muito de cada um comigo.

Penso que a UNIMA está no caminho certo quando pensa em formar grupos vindos de “escolas de vida e arte” tão diferentes. Isso aumenta a dialética do grupo, intensifica as trocas e faz da formação um divisor de águas para a vida do artista que delas participam.

Meu futuro no Teatro de Sombras…

E se esta coisa pega no Nordeste? Vai ser uma coisa linda, que não tem quem segure, gente!
Aqui e acolá me pego “brincando” com minha sombra, curtindo mais a escuridão do quarto, de onde emergem ideias fantásticas. Achei qualquer coisa de ligação entre as “Sombras e Luz” e o preto e branco simples da Xilografia que ilustra o Cordel Nordestino. Me imagino em breve contando histórias com teatro de sombra e luz, em silhuetas esteticamente xilografadas. Acho que meu projeto de pesquisa pessoal vai ser para este rumo.

O nordestino é um contador de história. Basta lembrar de Luiz Gonzaga, que adorava desfiar histórias nos foles da sanfona (e haja Karolina – com K, Seu Januário, Samarica Parteira, as presepadas de seu Lula), basta lembrar da poesia de Patativa do Assaré, rasgando no verso e na prosa a vida do povo.

Quando me pego dialogando com as Sombras, elas começam a me contar histórias… Ou sou eu encontrando histórias nelas? …Ou são elas apenas o canal de representação de uma história que eu estou contando? Não sei. Sei que é muito mágico e que eu tenho a oportunidade de, ao voltar para o Nordeste, tornar mais presente o Teatro de Sombras por lá. Acho que vai pegar. Que vai dar certo. E vai frutificar coisas incríveis!

Gratidão, sempre… Ou uma “canção de amor, gravada num disco voador”!

Tão imaginário quanto um canção de amor, gravada num disco voador – tema do meu projeto individual de teatro de sombras – é encontrar as palavras para agradecer às pessoas que passaram pela minha vida, nestes dias inesquecíveis em Morro Reuter. Mas quero tentar…

Cia Lumbra: Alexandre Fávero, Fabiana Bigarella e Roger Lisboa. Qual deve ser a sensação de produzir transformações únicas na vida das pessoas? Como deve ser lidar com a responsabilidade de alçar a carreira de artistas a outros patamares? Não deve ser fácil, mas vocês fazem isso com uma maestria incrível! Sou muito grato por ter conhecido vocês; e pela energia, dedicação e sensibilidade com que conduziram este processo de vida e aprendizagem no Teatro de Sombras. Que os Deus abençoe!

A meus caros colegas, obrigado pela convivência, pelos risos compartilhados, pelos abraços, pelas histórias de vida de cada um. Que nos mantenhamos em contatos, que não nos percamos de vista, para que a vida nos dê novas oportunidades de estarmos juntos, aprontando sabe lá Deus o quê… Acho que depois do Curso, o céu é o limite! E vou tentar sem mais presente na Pachanga!

À Cia Caixa do Elefante: Paulo Balardim, Carolina Garcia, Mário de Ballenti. Este espaço de residência artística é um grande projeto! Grato pela oportunidade de fazer parte disso por alguns dias e levar sensações para toda a vida.

Abraços afetuosos à Luana, Andreza. Quanta eficiência! Ainda hei de cuidar de uma casa com a mesma eficiência de vocês, deixando um rastro de beleza por onde passa.

À UNIMA, na pessoa de Susanita Freire. Obrigado pelo grande trabalho nos representando, enquanto artistas bonequeiros latino americanos. A sua atuação colabora para que tenhamos orgulho de carregar a carteira da UNIMA, como membros de uma grande organização. Obrigado pelos e-mails, a motivação, a aposta, por acreditar em nós e no nosso trabalho, do nosso jeito e em nosso lugar.

Leandro Silva – Artista Bonequeiro

Fotos: Roger Lisboa (Cia. Lumbra) e Andreza Maia
Sobre o meu trabalho: fuzu-rede-animada.blogspot.com

1 Comentário

  1. Sou a Karina Da Silva, gostei muito do seu artigo tem muito
    conteúdo de valor parabéns nota 10 gostei muito.

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